Ensaio ao BMW 118d Cabrio num Percurso Fascinante

Iniciei um projecto que me apaixona tanto ou mais do que os automóveis e não pude deixar de conjugar estas duas paixões numa única viagem. Trata-se de um novo espaço dedicado a partilha de experiências de viagem ou de pequenos passeios que tantas recordações nos deixam quando temos de continuar o nosso trabalho do dia-a-dia.

E neste caso foi bem conjugado com um ensaio que eu vinha a preparar há já alguns meses. Trata-se do BMW 118d Cabrio, de motor diesel 2.0 de 143 cavalos às 4.000 rpm.

Performance do BMW 118d Cabrio

Um erro comum é considerar que 118d poder fazer referência a 1.800 cc, mas trata-se apenas do modelo em si e não o que diz respeito ao motor do mesmo. Neste caso tem 1995 cc e um binário de 300 Nm logo às 1750 rpm. E é isso que gosto dos motores a diesel: o binário é sempre tão apelativo que compensa largamente algum frissom competitivo e rotações mais extremas em algumas circunstâncias.

Neste caso, o BMW 118d demonstrou genica e mesmo uma velocidade de ponta considerável (máximo de 208 km/h) tendo em conta que se trata de um cabrio e poderia ter questões em termos de aerodinâmica. O que ficou claramente demonstrado foi que em termos de recuperações a alta velocidade tende a ser um pouco mais pastoso que os seus irmãos mais encorpados. Tarda a apanhar de novo a velocidade mais alta após alguma travagem necessária ou redução pontual. Fica tal força bem patente nos 9,5 segundos dos 0 aos 100km/h apontados pela marca mas que eu nunca consegui fazer em menos de 10,8 segundos.

Com sistema Start/Stop e com apoio tecnológico de “aconselhamento” de condução eventualmente conseguimos atingir os anunciados 4,8 litros aos 100km. No entanto, no teste efectuado e recordo que foi devido a estarmos a testar as suas reprises e performance, o que completamente prejudica o teste de consumo, nunca esteve abaixo de 7 ou 8 litros.

Conforto ao Ar Livre

Mas é com os cabelos ao vento que melhor apreciamos este BMW que sempre surpreende pela positiva em termos de conforto versus dimensão. Quando pensamos num veículo com estas dimensões e ainda por cima com a função cabriolet o que eventualmente prejudicaria ainda mais a capacidade da bagageira é com agradável surpresa que constatamos que existem verdadeiros quatro lugares, com opção de um quinto se for uma pessoa bastante mais magra e a bagageira realmente consegue levar duas malas de viagem e uma série de outros acessórios pois aproveita bastante bem todos os recantos da estrutura traseira como aliás se pode ver um pouco nesta foto abaixo já sem as malas, mas ainda com umas caixas de vinho que comprei na belíssima Herdade de Peramanca, os quais aliás recomendo vivamente (isto se não conduzir obviamente!!).

Mas sem dúvida foi um dos pontos altos deste carro que quebrou a minha ideia de que num cabrio pequeno podíamos esquecer trazer bagagem. Aliás, numa utilização do dia-a-dia, poderá mesmo servir de 1º carro, sim não estou a brincar, para fazer as suas compras de supermercado ou até levar um carrinho bebé. Sim, é mesmo verdade. E não se fica por aqui… se baixar os bancos traseiros ainda pode levar coisas mais volumosas como uma prancha de wakeboard ou de kitesurfing sem problemas. Sim, isso é um must neste belo carro multifacetado.

Os bancos são mesmo confortáveis e foi um dos pontos alvo de melhores comentários pois acomoda-se muito bem ao nosso corpo e mesmo em viagens mais extensas como a viagem de volta do Algarve para Lisboa, não sentimos o peso da viagem. Com pequenos espaços onde acomodar pequenos objectos, é sempre uma forma de ter sempre à mão coisas como o telemóvel que tem direito a compartimentos especiais como no apoio lateral ou mesmo nas portas.

Já a suspensão, devido ao seu carácter cabriolet e portanto reforçado na sua estrutura para tal conceito, notou-se em algumas situações um toque algo duro quando passamos por algumas irregularidades na estrada mas em todo o caso foi sempre confortável no geral.

Com a capota subida, é quase um coupé, não fosse ainda um ligeiro assobio da insonorização que não pode nunca ser perfeita numa capota de lona, apesar de a verificada no Mercedes-Benz E500 ter tido um desempenho ainda melhor, mas não comparemos o incomparável em termos de modelos e conceitos. Se descemos a capota de lona tarda cerca de 22 segundos e aí é como todos os cabrios. Ar livre e sorriso nos lábios.

Condução Dirigida

Esta expressão é mesmo apropriada pois dá para entender que uma das suas mais valias que é o chassis bem desenhado e seguro faz com que a direcção tenha que ser muito mais assertiva e dirigida para o caminho a seguir. Eu explico melhor, enquanto que em alguns modelos temos de dar pequenas compensações e de alguma forma não deixar o volante quieto, no 118d temos mesmo que indicar o caminho a seguir e confiar que o chassis vai manter a trajectória sem vacilar, porque se experimentamos pequenos toques de volante de compensação, dá-lhe alguma instabilidade. Ou seja, não é um defeito, mas uma virtude.

Quando comparando um grande sedan como um Série 5 ou um Série 7 e o comparamos com a condução deste Série 1 o que salta à vista, salvo as inevitáveis diferenças de segmento, motores e equipamento, é a condução mais curta, mais dirigida que não necessita de compensações em termos de dimensão da viatura, o que permite neste caso conduzi-lo com o mesmo divertimento de um kart.

Mas a questão que se coloca ao fim de todo este ensaio é: Será um carro a comprar em comparação com outras opções coupé ou sedan em oferta no mercado?

A resposta é um surpreendente SIM! À partida optaríamos por um outro tipo de veículo porque anteriormente, os cabriolet não eram verdadeiramente práticos a não ser para o seu objectivo primordial que era o de aproveitar o ar livre, mas convenhamos, isso seriam apenas uns 3 ou 4 meses por ano. No restante período sempre podia parecer inócuo e por vezes até inconveniente.

Mas o que é um facto é que este pequeno carro é uma solução para todos os meses do ano e com certeza nunca nos deixa mal no nosso dia-a-dia. Antes pelo contrário. Tanto que já está na nossa lista de compras futuras caso venhamos a trocar um dos nossos carros. Apenas… não escolheria o branco. 😉

Por agora, deixo apenas uma galeria de imagens que tirei em Ovar e um vídeo está prestes a ser produzido para apoiar este ensaio.

E a tua experiência e opinião? Já o experimentaste ou tens comentários a fazer? Tens o teu espaço já aí embaixo.

Rui Nunes

Adoro automóveis! A sério, sou capaz de passar horas a falar do que gosto ou não de um carro. No entanto, sou incapaz de discutir pormenores técnicos ou de estatísticas. Mas tenho muito claro o que me faz gostar ou não de um automóvel e é isso que quero partilhar aqui.